Escravidão: tema tabu para os museus de arte decorativa

Sobre os impactos e implicações da escravidão na produção e no consumo dos objetos de arte decorativa (mobiliário, porcelana, cristais, prataria etc.) paira o "sossego museal", referido pela professora Joseania Miranda Freitas, no seu texto: Escravidão: tema tabu para os museus de arte decorativa' - no qual reflete sobre esta lacuna.

Maria Helena - Diretora do Museu

"O ensino e a prática museal no campo da arte decorativa estiveram, durante muito tempo, aliados aos modos de pensar colonial e imperial, privilegiando concepções artísticas europeias, sacralizando objetos advindos das elites enriquecidas pelo trabalho escravo. O tema da escravidão de povos africanos tem sido tabu para os museus, ficando tais discussões reservadas àqueles específicos (etnográficos e históricos), omitindo-se, dessa forma, que a formação econômica dos países colonizados e suas metrópoles se deu através dessa força de trabalho. O caminho metodológico para enfrentar esse tabu tem sido o de descolonizar o olhar em arte decorativa, o que implica suscitar uma tomada de posição crítica frente aos acervos hegemonicamente estabelecidos, ainda ancorados na chegada, conquista e estabelecimento dos europeus nas Américas como marco fundante de processos civilizatórios. O termo colonial não se aplica exclusivamente aos processos de governança, mas ao campo epistemológico, à manutenção do conhecimento eurocentrado. A docência nessa área é desafiadora, pois está atrelada aos acervos, resultantes da permanência de padrões e gostos coloniais-eurocentrados, não somente no campo artístico, mas também no campo das mentalidades."

1 FREITAS, Joseania Miranda. Escravidão: tema tabu para os museus de arte decorativa.

Revista PerCursos, Florianópolis, v. 20, n. 44, p. 56-76, 2020.

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